A situação do São Paulo, a vitória-derrota e sua piscina.
Foto: Divulgação

Antes do jogo contra o Santo André, muitos que acompanham o São Paulo indicavam certo desconforto de jogadores e funcionários para com o comportamento de Ceni à frente do clube. Seu jeito turrão e chato estaria fazendo com que o ambiente restasse pesado e uma demissão não seria absurdo – diante da falta de resultados. A vitória veio. Fraca, decepcionante, quase uma derrota de três pontos; mas veio. E também a coletiva de Ceni, com seu peculiar humor ácido e seus apontamentos cirúrgicos sobre as ruínas do atual Tricolor.

A bem da verdade, o time quase sai do Morumbi com uma vexatória derrota para os – pasme! – reservas do Santo André. Não fosse a falta de pontaria de Gustavo Nescau, que errou uma bola sem goleiro e debaixo das traves, o resultado poderia ser bem diferentes. Mas não se trabalha no futebol com cogitações ou hipóteses; fato é que o Tricolor ganhou, mas perdeu. Viu-se, no Morumbi, um time sem repertório e com excessivos cruzamentos despropositados. Um colosso de ineficácia. O gol de Marquinhos, no fim do jogo, representou um respiro ao tricampeão do mundo: Ufa! Conseguimos nos distanciar da zona de rebaixamento. Esse é o arquétipo do atual São Paulo.

No final da partida, um show de sincericídio de Ceni: o treinador fez uma autocrítica comportamental e apontou problemas estruturais da realidade do São Paulo que se tenta esconder. Aquela instituição referência e moderna ficou naquele passado em que o Ceni jogador se frustrava por não se classificar na Libertadores e tinha que se contentar em vencer o Brasileirão de ponta a ponta – como um consolo. E também trouxe à tona o comprometimento de jogadores que se machucam, mas não se dedicam a logo voltar; e apontou o dedo para a melhoria de alguns departamentos, sem especificá-los, pois. Discurso necessário vindo de alguém que tem o moral suficientemente alto para fazê-lo. O são-paulino precisa ouvir a realidade e saber que o Soberano é agora uma espécie de Santo André com grife.

Já é de praxe, no Morumbi, a insurgência ser preponderante sobre os técnicos. Sempre o culpado treinador perde a mão nos vestiários, perde o grupo e não deve mais continuar no clube. Foi assim com Diniz, com Crespo e está sendo com Ceni. É assim com todos. O bode expiatório é o comandante, que precisa sempre se adequar ás exigências dos comandados. Seria estranho em uma instituição que se diga séria. No Tricolor, apenas mais uma normal temporada.

A piscina do São Paulo está cheia de ratos. As ideias dos mandatários não correspondem aos fatos. E o tempo?! Ah! Esse não para. E, com o São Paulo, ele foi/é implacável. É, de todo modo, o time das glórias do passado. Um distante e saudoso passado.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.