Diego Alves seria a solução para o São Paulo?
Foto: Armando Paiva / LANCEPRESS!

Um dos grandes delírios de um torcedor apaixonado é o apego ao passado. É muito comum que um aficionado relembre momentos de outrora com uma saudosa verborragia, que é contaminada pela distância dos fatos. Em se tratando de São Paulo, clube que tudo conquistou e que agora se encontra em uma clarividente crise financeira e estrutural, nada mais comum do que buscar refúgio na era de Telê ou mesmo na de Muricy; é saída fácil pela farta história do clube e o naturalíssimo arcabouço de inesgotável orgulho, pois.

Quando se trata de um jogador específico, isso também costuma ocorrer. Quem não se recorda dos pedidos incessantes pela volta de Diego Lugano, com seu nome entoado nos arredores do Morumbi em todos os jogos, como uma súplica intermitente à diretoria?! O eterno camisa 5 retornou ao seu lar glorioso, mas amargou o ostracismo de não mais conseguir desenvolver o futebol que o consagrou no pretérito. Isso também ocorreu com Cicinho, em seu retorno. E com Ilsinho. Com Alexandre Pato. Arriscaram manchar a boa imagem cravejada na mente do torcedor com atuações aquém e muita desesperança.

Eis que, em 2022, o são-paulino ainda sente falta de um bom camisa 1. As tentativas pela reposição no gol foram aos montes: de Dênis a Jandrei, passando por Sidão, Jean e Tiago Volpi. Este último, por sinal, um pedido da própria torcida, que clamou por sua contratação em definitivo – o que foi acolhido pela diretoria, no afã do oba-oba. O namoro entre o atleta e o torcedor não muito durou. E o resultado, todos conhecemos. Mas, enfim. É certo que o São Paulo vive às sombras do ídolo Ceni, que defendeu o time por longevos 25 anos – de 1990 a 2005. A herança do 01 é maldita, e a cobrança pela igualdade, cruel.

Com a saída do crucificado Volpi, existe uma camisa 1 sem dono no Morumbi. E atualmente é ventilado o nome de Diego Alves, que está no Flamengo. Muitos, de logo, abraçaram a ideia e levantam a bandeira do arqueiro. Pesa a seu favor a relação com Ceni, com quem trabalhou no Flamengo. Mas e o que pesa contra? Ah, muita coisa! A começar pela idade: aos 36 anos, não é mais aquele craque do Valênciaou mesmo do rubro-negro, quando de sua chegada. Hoje, amarga o posto de terceira opção, atrás de um recém-contratado e de um inseguro jovem, cria do clube.

A diferença entre ele e Volpi, atualmente, seriam duas: o nome e a idade – esta última, a pesar em favor do agora ex-tricolor. Não há nada que justifique a contratação do veterano, mormente pelas suas recentes atuações. Volto após o vídeo abaixo. Caso não carregue, clique aqui.

Pronto. É claro que é deveras malicioso se basear em um vídeo de piores momentos de um atleta. Assim como seria bastante conveniente reunir seus melhores momentos para formular um juízo a contrário senso. Mas esse compilado é de 2021, a temporada passada. Você, torcedor do São Paulo, consegue enumerar quantas falhas parecidas Volpi teve nesse período? Pode ser em quantidade ou em qualidade, sem perigo do erro.

O grande problema de nossas mentes torcedoras é se apegar a um passado não mais existente. Mirar o apogeu de um jogador e projetá-lo em um presente diferente, com circunstâncias diversas. Afora a adaptação ao clube, a disputa por posição, a idade, a condição de terceiro reserva, o baixo número de disputas no ano, há alguma boa razão para se apostar em Diego Alves? A resposta só pode ser negativa, baseando-se por uma noção razoável de bom senso.

Se for para jogar as fichas em um all in, melhor que seja por um da casa, com custos baixos e riscos conhecidos. Thiago Couto e Lucas Perri seriam bons nomes, mormente pelas experiências já adquiridas. Afora isso, é redundar em erros já cometidos. E o São Paulo não pode mais se dar ao luxo de errar tanto.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.