Confira a opinião do colunista do AT sobre as contratações de 2022
Foto: Rubens Chiri/Saopaulofc.net

Datados dez dias do sexto mês do ano, é possível analisar alguns aspectos do time do São Paulo, do ídolo Rogério Ceni. Além de muito forte em seus domínios – não à toa, venceu onze partidas consecutivas até o confronto contra o Ceará -, é um time que perde muito pouco: foram apenas cinco derrotas, sendo duas delas no início da preparação e sem o devido entrosamento. Ainda assim, superadas as virtudes e qualidades, é bastante evidente que o clube possui problemas; e os reforços para a temporada são um deles, indubitavelmente.

Para 2022, o Tricolor contratou Jandrei, Alisson, Andrés Colorado, Patrick, Nikão, Rafinha e André Anderson. Ressalvado este último, que, de fato, ainda nem pôde ser testado, os outros são passíveis de críticas – mormente pela situação do time.

Começo por Rafinha. O lateral-direito multicampeão não compromete em campo. Joga o “feijão com arroz“, mas longe de ser um diferencial para a equipe. A idade, é claro, pesa; é um jogador rodado, experiente, mas que não traz à equipe a qualidade que se espera de um atleta de seu quilate. O espírito de liderança é, talvez, o seu grande legado. Ainda assim, nada que o torne indispensável. O próprio Igor Vinícius, em algumas oportunidades, é mais efetivo e contundente – apesar da oscilação.

Jandrei chegou para tentar solucionar uma quizila que dura desde 2015, mais precisamente com a aposentadoria de Ceni. De fato, conseguiu tirar a posição de Tiago Volpi, que, oportunamente, voltou ao México, onde tem história. Todavia, infelizmente, está longe de passar segurança ao torcedor. É um goleiro comum que, com todo respeito, não tem a envergadura técnica suficiente para segurar o posto de camisa 1 do São Paulo.

Alisson é esforçado e, quiçá, o que mais entrega dos que chegaram. E isso é muito, mas muito pouco -sem qualquer margem para dúvida. Diante de suas evidentes limitações, não há como não se questionar se na base não exista alguém mais capacitado para a posição. Foram embora atletas que poderiam ser trabalhados com paciência, tais quais Vitinho, de graça, e Marquinhos, quase sem custo. Preteridos no ataque por Alisson, que não justifica a camisa que veste.

Patrick já era contestado no Colorado pela sua condição física. Futebol, como se pode observar, ele sabe jogar. Entretanto, até o presente momento, apenas apresentou lampejos em jogos esporádicos. E sua produção desde o desembarque ao Morumbi não tem o condão de encher os olhos nem dos mais empolgados.

Nikão é, com toda certeza, o arquétipo do fracasso dos reforços da temporada. A priori, a justificativa para a sua parca utilização foi a de que, no Furacão, a sua pré-temporada era de 40 dias. Está-se diante da metade do ano e o meia que recebeu a lendária camisa 10 do clube, que já foi de Raí e Pedro Rocha, não apresenta qualquer esboço de que irá vingar no Tricolor. E, claro, está no departamento médico há algum tempo, colecionando partidas perdidas – quase a metade das possíveis.

Andrés Colorado é novo e pode, em havendo adaptação, ser útil ao São Paulo. No interregno que se passou desde sua vinda, contudo, não mostrou do que é capaz. Por ele, aguardemos, pois.

Entende-se a dificuldade financeira da instituição; quanto a isso, há que se ter, de fato, compreensão. Ademias, não se pode deixar de constatar que todas essas contratações não apresentaram diferenciais quaisquer à equipe, restando ao clube enxertar o elenco com garotos, postos à prova e à fogueira, alvos dos cruéis ataques rotineiros das mesmas pessoas que pedirão as suas voltas quando estiverem fora do clube.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Matheus Tévez é formado em Direito pela UFBA, cursa Letras, além de ser professor, escritor e articulista. Mas a sua grande virtude é ser são-paulino doente desde os tempos em que Válber doutrinava na zaga.