Tabelinha Tricolor – Jardine está no paredão

A coluna Tabelinha Tricolor é publicada às segundas-feira pelo Thiego Goulart e aproveita para quase sempre fazer um resumo da rodada do final de semana. Confira o índice da coluna aqui.

O reality show da TV Globo estreia amanhã (15), mas nos muros do Morumbi já ventila-se o primeiro paredão. Aos olhos dos comentaristas de TV e de parte da torcida, o BBB Tricolor já começou e Jardine já está no paredão – por unanimidade da casa.

A maior contribuição que Jardine pode dar ao São Paulo é o seu conhecimento tático e técnico, indiscutíveis. Afinal, discute-se a forma de lidar com jogadores “veteranos”em seu primeiro desafio no profissional, mas é indiscutível sua capacidade técnica e de entendimento de jogo.

Acontece que jogar um campeonato como a Florida Cup que lhe possibilita ter míseros 5 dias de treinos numa pre temporada, é quase tao brutal como ter um jogo de mata-mata em menos de um mês apos as férias. Opa, o tricolor também terá este desafio!

Uma viagem desgastante, jogadores novos e voltando das férias, comissão técnica reformulada, novo estilo de jogo para ser implantado e cinco dias de treinamento e dois adversários a enfrentar de alto nível técnico. A conta fecha para você? Para mim, não. O São Paulo de Jardine não mostrou mais e nem menos do que poderia. Era isso que dava para fazer e foi feito. Ponto.

Um fato que pouco se discute, é o pouquíssimo tempo de treinamento que Jardine terá pela frente, pois, o tricolor estreia no Paulistão dia 19/01, contra o Mirassol, e só terá uma semana cheia para treinamentos após o clássico contra o SCCP, no dia 17/02. Neste período, jogos de quarta e domingo, intercalando viagens e logística.

Tudo isso para ilustrar que Jardine tem um desafio e tanto em sua frente: ganhar jogos! Por que bato a tecla que Jardine precisa ganhar, ou na pior hipótese, não perder jogos? Aqui no Brasil pouco se discute o trabalho no dia a dia. Pouco se discute métodos de treinamentos e padrão tático das equipes. Pouco se discute calendário! Por aqui, imprensa, jogadores, dirigentes e torcedores pautam suas emoções – e atitudes – no resultado.

Muito se fala de continuidade de treinador, mas pense comigo. Qual é a manchete dos jornais e dos programas esportivos após uma, ou quiçá, duas derrotas de um time grande? Fala-se do atacante perna de pau? Fala-se do zagueiro lento? Fala-se do juiz ruim? Fala-se do dirigente que contrata errado? Não. Convenhamos, somos os primeiros a criar um ambiente hostil para os treinadores e os primeiros a tacar pedras quando são demitidos.

Jardine precisa ganhar jogos para ganhar “tempo de vida”, assim como em um jogo de vídeo game. Suas convicções sobre futebol precisarão andar em paralelo, não como fator principal do seu estilo.

O maior exemplo disso está em Fábio Carrile, o então jovem treinador nunca escondeu que seu maior desafio na frente do rival era fechar a casinha e não perder jogos. Feito isso, ganhou tempo para implantar seu método de trabalho, que você gostando ou não, lhe rendeu 3 títulos em apenas 12 meses.

Neste paredão em que se encontra, Jardine precisara ganhar a confiança de uma torcida de um time na fila, precisará convencer uma imprensa que se acostumou (com certa razão) a questionar qualquer passo dado pelo SPFC e, primeiro, conquistar a simpatia dos dirigentes, a ponto de lhe darem tempo e autonomia.

Boa sorte, Jardine!






Avante Tricolor. 

Thiego Goulart

Thiego Goularte. Publicitário, paulistano e, acima de qualquer coisa, fanático pelo Tricolor mais querido do mundo!! Escrevo sobre o olhar de um mero torcedor de arquibancada, mas que teve um ídolo que vestiu a camisa 01 e que lhe mostrou que homens não somente podem voar, mas também serem protagonistas. Me siga no Instagram: @thgoularte.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

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