O Campeonato Brasileiro vem aí e o elenco do São Paulo é desequilibrado

Todos nós estamos preocupados com o jogo da próxima quinta-feira, contra o Rosário Central, na Argentina, pela estreia da Copa Sul-Americana, partida aliás que promete grandes dificuldades e é importante. Para um time que não ganha título nenhum há quase 6 anos, não dá nem para falar em importância deste ou daquele torneio.

Porém, já segunda-feira, temos a estreia pelo Campeonato Brasileiro, contra o Paraná, no Morumbi. Pensando na grande quantidade de jogos, competitividade, necessidade urgente em levantar um troféu e, principalmente, o que foi apresentado pelo São Paulo até agora em 2018, fica até fácil concluir que nosso elenco não está pronto, aliás, longe disso.






Só esse fato já demonstra erros de planejamento, uma vez que no mês de abril é necessário que um time já esteja em período de estabilização. Ainda que algumas peças sejam alteradas (o que acontece durante o ano todo, por questões técnicas, físicas, de suspensão e também pelo lamentável calendário do futebol brasileiro), chegamos até aqui com um time desequilibrado, com problemas e com mais uma troca recente de treinador.

Vamos analisar setor por setor:

Goleiros: Sidão, Jean, Lucas Perri e Lucas Paes: Sem entrar no mérito dos dois Lucas (que não tiveram chances no time titular) temos dois goleiros praticamente do mesmo nível, cheios de instabilidades e que não transmitem confiança absoluta. Sidão merece a titularidade no momento, mas há o agravante do reserva ter custado R$ 10 milhões. Sidão precisa parar de arriscar em momentos inapropriados em sua saída de bola e melhorar sua saída de gol, enquanto Jean cometeu falhas fatais quando jogou. O garoto Junior, que jogou a Copa São Paulo, parece ser também excelente opção, se for o caso.

Zagueiros: Arboleda, Rodrigo Caio, Bruno Alves, Anderson Martins, Militão e Aderllan: Eis nosso melhor setor. Temos boas opções para titulares e reservas, inclusive com possibilidade para dois ou três zagueiros. Rodrigo Caio fez uma partida pavorosa contra o Atlético-PR, mas se for para o banco, temos Bruno Alves, que joga simples e inspira confiança. Ainda que Rodrigo Caio possa ser vendido, temos bons nomes na base para reposição (além da volta de Militão para esse setor). Não há motivos para gastar dinheiro com zagueiros no momento.

Laterais: Eis aqui uma prova de desequilíbrio: Reinaldo, Bruno, Regis, Edimar, Junior Tavares e Militão (improvisado). Regis é recém-chegado, não dá pra analisar. Reinaldo tem dado conta na esquerda (apesar de falha grotesca no segundo gol do Atlético-PR por pura desatenção), parece ter voltado com mais confiança da Chapecoense. Todos os outros são questionáveis. Ainda que Junior Tavares possa ser uma boa exceção, até o momento não demonstrou nenhuma regularidade e também foi vítima em 2018 do péssimo preparo físico do São Paulo. O setor precisa de reforços que cheguem para ser titulares, sendo possível até mesmo dispensar alguns dos que hoje estão lá. Bruno, por exemplo, deveria ser o primeiro a puxar a fila.

Volantes: Hudson, Jucilei, Liziero, Petros e Araruna. Boas opções, apesar de Petros ser escalado frequentemente sem ter jogado absolutamente nada em 2018. Liziero é a boa notícia, podendo fazer ótima dupla com qualquer outro da posição, ou até mesmo com Militão. O que já se mostrou temerário é escalar juntos Petros e Jucilei, já que a equipe fica lenta e sem pegada.

Meio campo: Nenê, Cueva, Valdivia, Lucas Fernandes, Shailon e Lucas Fernandes. Aqui há problemas. Nenê tem crescido de produção, enquanto o melhor tecnicamente, Cueva, só pensa em Copa do Mundo. Valdivia tem jogado (quando joga, aliás, já que foi outra vítima da péssima preparação física e se machucou em fase decisiva do Paulista) praticamente como atacante e os jovens Shailon e Lucas Fernandes ainda não despontaram no profissional. Há ótimos nomes na base na posição e, se for o caso de contratar, precisamos de um nome incontestável, até mesmo pensando numa muito provável transferência do peruano Cueva. Mas ou se traz alguém de muita qualidade ou podemos usar mais garotos, como é o caso do Igor Gomes.

Atacantes: Bissoli, Morato, Trellez, Brenner, Diego Souza, Marcos Guilherme, Caíque e Paulinho. Aqui o caso é de desequilíbrio, muita quantidade e falta de qualidade. Bissoli teve pouquíssimas chances, Morato voltou recentemente de grave contusão, Caíque começou a entrar recentemente e Paulinho tem sido quase esquecido por Aguirre. Brenner é um tipo de centroavante diferente do que estamos acostumados, mais baixo e ágil, Diego Souza não tem nenhuma condição de jogar como camisa 9, Marcos Guilherme vive péssimo momento e Trellez, apesar de muito esforçado, tem pouca qualidade técnica. Enfim, há 8 opções, mas nenhuma definição. O time tem feito poucos gols e criado pouco. Claro que a criação é uma responsabilidade do meio-campo, mas nossos atacantes pouco têm se esforçado para ao menos chutar de fora da área, fazer o pivô, ações que ajudam decisivamente quando o meio não produz. Aqui, precisamos de reforços e o recém-chegado Carneiro pode ser uma opção, embora fosse mais adequado contratar um nome mais certeiro. Opções, há muitas, mas ainda não temos a dupla, muito menos o trio ideal de ataque. Acredito muito no potencial de Morato e há dois garotos que podem compor muito bem por ali: Helinho e Toró.

Enfim, o Brasileirão vai começar e se não quiser novamente brigar para fugir do rebaixamento, é preciso que Diego Aguirre rode mais a equipe (principalmente no meio e ataque) para que não haja tanta falta de criatividade e de gols. O tempo é curto e precisamos de algum retorno positivo após semanas como essa (sem jogos, livres para treinamentos) e haverá também a pausa para a Copa do Mundo. Novamente, por erros de gestão, chegamos a abril e o São Paulo está longe de ter uma equipe-base para a temporada.

 

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