#ColunaAT – SPFC S/A: O que significa o time de futebol se tornar uma empresa?

Hoje em dia é possível ver muitos torcedores que, inconformados com a situação do seu time, clamam para que o mesmo se torne uma empresa. Ok, mas será que eles sabem, na prática, como funciona esta mudança drástica e, mais importante, sabem quais os riscos disso?

Nesta coluna eu pretendo explanar da forma mais simples possível, como é essa mudança. O time sair de um “regime” de associação sem fins lucrativos e entrar no “regime” de sociedade anônima.

Vamos lá. Falando de São Paulo, o Tricolor é uma associação sem fins lucrativos e, costumeiramente, é representado por um presidente que cuida de todo o sistema do clube, ou seja, gere o futebol, gere outras modalidades e, também, o clube social. Este é o sistema mais utilizado no Brasil e, cada vez mais, vem atrapalhando o desenvolvimento do futebol brasileiro.






O problema deste sistema é que os diretores e presidentes dos clubes tendem a sempre exercer uma outra profissão paralela a eles. Por exemplo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, é advogado, como também é Carlos Miguel Aidar, ex-presidente do Tricolor. Geralmente, por ter o cargo de presidente do clube de forma secundária, estas figuras acabam agindo, cada vez mais, sem pensar, causando diversos problemas aos clubes de futebol.

Este seria um dos pontos interessantes em uma mudança para a sociedade anônima: os clubes teriam, de fato, diretores e presidentes remunerados, já que o clube se tornaria, literalmente, uma empresa. Se tornando uma empresa, há metas, há o objetivo de se obter lucro e, consequentemente, a valorização do clube, através de trabalho transparente e eficiente.

Mas de que forma o São Paulo se tornaria uma empresa? Inicialmente, o clube vende as ações e percentuais de controle para acionistas interessados. Só nestas vendas já é possível levantar uma boa grana. Para se ter uma ideia, o Colo-Colo/PAR foi um dos principais clubes da América do Sul a ter uma grande reviravolta quando se tornou uma empresa no início dos anos 2000. Além de levantar cerca de US$35 milhões (o que serviu para sanar dívidas e ainda dar um tapa no estádio), o clube conquistou 8 títulos nacionais de lá pra cá.

Os acionistas que compram suas parcelas de ações e porcentagens de controle passam a gerir o clube de futebol, tomando conta de referidos setores do clube, cada um, fazendo com que sempre tenham lucro e valorização.

Não seria errado falarmos do Palmeiras como exemplo recente. O clube não é uma empresa propriamente dita, mas tem a Crefisa administrando o clube. Algo como a Parmalat fez em 1992 também no Palmeiras, e a Hicks Muse, no Corinthians.

Como pudemos ver, há também os riscos, conforme os dois exemplos citados acima. A Parmalat praticamente faliu e a Hicks Muse abandonou o futebol. É um risco cada vez menor já que, hoje em dia, há muito mais estudo antes de se gastar tanto dinheiro, o que também afasta um medo curioso de muitos torcedores, quando falamos de vender ações e porcentagens de controle: um torcedor rival rico comprar tais papéis só para “ferrar” o São Paulo, por exemplo. É possível? Sim! Mas, convenhamos, quem rasgaria dinheiro pra fazer uma coisa dessas?

Para se ter uma ideia, caso o São Paulo se transformasse em uma empresa, seria possível que o clube se tornasse sócio da Adidas, se esta quisesse comprar ações do clube.

Muitos dos principais clubes europeus são empresas, principalmente os ingleses. Bayern de Munique, Borussia Dortmund, Juventus também trabalham desta forma. Já Real Madrid e Barcelona, são exceções marcantes, já que permanecem no sistema de associações sem fins lucrativos.

Na Alemanha, por sinal, utiliza-se o sistema “50+1”, que é um dos sistemas mais eficientes. Os acionistas compram seus papéis, têm suas responsabilidades, mas o clube ainda tem controle sobre si. Em suma, os clubes são obrigados a vender, no máximo, 49% das ações, sendo sempre o majoritário, permanecendo com 51% na pior das hipóteses.

No Brasil, o Figueirense é o único clube-empresa que atua nas duas principais divisões do Brasileirão. Porém, também temos a Ferroviária, o J Malucelli, Audax, União São João, etc. O Athletico-PR é outro clube que se aproxima desta nova metodologia.

Algumas vantagens de ser clube-empresa:

  • Negociar com empresas gigantes;
  • Vender naming-rights de estádio ou outras áreas;
  • Ter gestão profissional no clube;
  • Segurar mais jogadores criados na base;
  • Firmar parcerias com grandes clubes;

Algumas desvantagens de ser clube-empresa:

  • O clube ficar nas mãos de empresas mal administradas e/ou quase falidas;
  • O clube ficar nas mãos de acionistas que prefiram não pagar algo essencial (o 1860 Munich é um grande exemplo, já que seus acionistas não quiseram pagar a taxa para jogar a segunda divisão, quando foram rebaixados. Como consequência, estão na quarta divisão até hoje);

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Por Igor Martinez

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