Ceni poupa Alisson e Rigoni e escala Tricolor com trio de atacantes para duelo contra a Inter de Limeira
Foto: Mauro Horita

Torcedores de qualquer clube sempre têm uma relação de muito afeto com seus estádios. Eu mesmo já me peguei várias vezes chamando o Morumbi de “segunda casa”. Porém, no cenário atual do São Paulo e do futebol brasileiro (com a novidade da Sociedade Anônima do Futebol – SAF) é mais do que cabível discutir sobre o que significa nosso estádio dentro da realidade (caótica) financeira do clube.

Antes de se posicionar contra ou a favor de qualquer hipótese (seja ela venda, demolição para construção de um novo ou reforma) é elementar fazer contas. Uma fonte que trabalhou no São Paulo pouco depois da Copa do Mundo de 2014 me disse que, certa vez, uma grande construtora fez uma proposta: R$ 1 bilhão por toda a área do São Paulo (estádio e clube social). Deste montante, R$ 300 milhões seriam utilizados para a construção de uma arena na área do Ginásio do Ibirapuera, num processo de concessão com o Governo do Estado.

Qualquer empresa do mundo ao menos discutiria uma proposta como essa. No São Paulo, ela foi prontamente negada, com a diretoria da época e o Conselho sequer discutindo o tema.

Pessoalmente, gosto muito do modelo anunciado em 2011, que faria cobertura, modernização e transformaria o antigo setor amarelo em uma arena multiuso com cerca de 30 mil lugares. Havia ali pontos questionáveis e preocupantes na engenharia financeira, mas em vez de discutir a aprimorar, a solução mais uma vez foi engavetar. Pra quem não se lembra, segue o vídeo postado à época pelo São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=MpDeAbb3gv8.

Ter um estacionamento, hotel, arena de shows (sem interferir no gramado) centro de convenções e, mais importante, uma cobertura, traria muito mais renda ao clube. Modernizar um estádio projetado em 1950 é algo não apenas importante, mas fundamental.

O que vai ser?

Além de não aprovar nenhuma modernização relevante, o clube viu o Palmeiras reconstruir seu estádio e levar uma infinidade de shows e eventos para lá (e claro, muito dinheiro. O Allianz Parque é um dos pilares do sucesso recente dos caras).

Pior ainda, em 2018, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) comunicou ao São Paulo, em 2018, que o projeto original do estádio do Morumbi foi tombado, o que dificulta enormemente qualquer mudança.

Enfim, opções há, o que é inadmissível é a ausência de qualquer discussão sobre o estádio. Temos um espaço antigo, perdendo eventos, renda, o torcedor segue tomando chuva (quem diz que não faz diferença certamente nunca viu um jogo na arquibancada) e não há qualquer perspectiva. A discussão precisa sair do “mas o Morumbi tem valor sentimental” e ser trazida para nossa dura realidade atual: estamos endividados e, também no assunto estádio, fomos ultrapassados.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

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Sou Anderson Dias, jornalista, já passei dos 30 e todas as minhas escolhas profissionais (e muitas pessoais) são ligadas ao São Paulo Futebol Clube. Me formei em Jornalismo, fiz alguns cursos ligados ao esporte e também pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo.