Prejuízo incalculável

A TRIbuna do Braga é escrita pelo Rodrigo Braga em todas às sextas.

Em uma semana que o Flamengo coroou um trabalho que sem dúvida mudou o nível de exigência técnica no futebol brasileiro (e dos nossos técnicos em especial), pensei muito em épocas que era o São Paulo que causava essa revolução e fazia os demais correrem atrás. Deu saudade.

Mas aí veio a realidade de uma década que está terminando de maneira melancólica em termos de resultados dentro de campo. Porém, olhando tudo que os cariocas estão “faturando” com a guinada que deram em termos de gestão, é inevitável não tentar calcular o prejuízo que as últimas gestões causaram ao São Paulo Futebol Clube.

E não me refiro só a dinheiro, mas a tudo que agrega um clube de futebol vencedor. Patrocínios melhores, contratos melhores com a TV, ações de marketing, programa de sócio-torcedor, venda de produtos e, pra mim o mais importante, criação de uma nova geração de torcedores. Qual o tamanho da perda em todos esses quesitos desde o nefasto puxadinho no mandato de Juvenal Juvêncio, passando pelo, digamos, “polêmico” Aidar até chegarmos na coroação da mediocridade com o Leco, o pior presidente da história do clube? E diria que este prejuízo é incalculável e esse estrago dificilmente será recuperado.

Aí, não!

Tudo bem que Raí não faz exatamente o trabalho dos sonhos como diretor de futebol, mas trocá-lo por pressão de conselheiros, essas pragas que assolam o clube, por um deles, para voltarmos a ter a politicagem priorizada em detrimento do time? Além de o estatuto aparentemente vetar, é tudo que não precisamos, seria a pá de cal.

Dedo na ferida

Aos poucos, Daniel Alves começa a mostrar a que veio. Dentro de campo, tem sido mais efetivo (ainda que eu ache que às vezes exagera nas tentativas de servir os companheiros quando a melhor opção é definir), mas sem dúvida está rendendo mais, parece ter encontrado sua melhor posição. E fora das quatro linhas, está se acostumando às mazelas do futebol brasileiro, mas não sem deixar a sua marca de líder. A entrevista após a vitória sobre o Vasco foi emblemática, colocando o dedo na ferida da politicagem que assola o clube não hoje, mas há muito tempo. A solução para voltarmos a ter um São Paulo vencedor e referência passa por não esconder os problemas. A solução passa pela liderança que Daniel Alves prometeu exercer quando chegou. E começa a cumprir.

Vale muito

A briga pela vaga direta na Libertadores agora virou questão de honra, pois aparentemente ficou apenas entre nós e eles. Terminar o Brasileirão no “puxadinho do G-4” significa ter mais tranquilidade no início de 2020, garantir na pior das hipóteses seis jogos na Libertadores do ano que vem (e possibilidade de pelo menos ir para a Copa Sul-Americana) e, claro, tirar tudo isso do rival, fazer eles passarem o que nós passamos no início desse ano. Diante do que foi 2019, até que seria um final de temporada aceitável. Espero então que os jogadores ao menos se empenhem por isso nos três jogos que restam, pois ganharam uma bela oportunidade natalina de limpar um pouco a barra pelo ano sofrível.
Até porque, o contrário – perder a vaga na reta final para o rival – e reviver todo o pesadelo que foi o início desse ano, fecharia com chave de lata o ano e a década do clube.

Raio-X

O time do Fernando Diniz continua apresentando um futebol capenga, tem uma dificuldade monstruosa para matar as partidas, o ataque é um latifúndio improdutivo e acaba sobrecarregando a defesa – que via de regra, vai bem. Aconteceu no desastre do Castelão, ao tomar o empate no último lance, e quase se repetiu no jogo com o Vasco (felizmente, dessa vez, a bola não entrou, mas bem mais por incompetência do adversário). O São Paulo, hoje, é praticamente um retrato perfeito do Brasil: na teoria tem um potencial enorme, mas na prática é uma bagunça.

É possível

O jogo com o Grêmio no domingo lá no Sul é daqueles que a derrota não é exatamente uma surpresa. Mas pelas circunstâncias, acho bem possível (e nem me surpreenderia tanto assim) se o São Paulo trouxer um bom resultado de lá. Seria essencial para as pretensões do clube.

Cilinho

Perdemos Cilinho nesta semana, um dos técnicos mais importantes da história do São Paulo. O time de 1985/1986 marcou todos os são-paulinos, e para mim em especial foi a primeira grande lembrança de torcedor. Vá em paz, Cilinho. E desculpa pelas últimas imagens que você levou do clube que você ajudou tanto.

Maldição

Minha gente, até o Tigre (aquele mesmo) foi campeão da Supercopa Argentina. Eu tenho uma teoria que cada vez mais levo a sério: aquele jogo inacabado gerou uma maldição dos deuses da bola, e a nuvem negra que nos faz penar há sete anos só irá embora quando jogarmos aquele segundo tempo contra eles. Bóra marcar?






Perguntar não ofende

Hernanes e Pato viraram decoração (caríssima) do banco de reservas? Não prestam mais? Só pra saber…


Rodrigo Braga. Tenho 40 anos, sou um paulista, paulistano e são-paulino radicado em Santa Catarina, onde há mais de 20 anos atuo como jornalista. Fui editor de esporte e participei de coberturas de Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e outros eventos internacionais. Sou louco por futebol, mas, principalmente, sou louco pelo São Paulo Futebol Clube.

*A opinião do colunista não reflete a opinião do site

Foto: Reprodução / Twitter do São Paulo

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