São Paulo - Fernando Diniz
Foto: Reprodução

Fernando Diniz não é mais o técnico do São Paulo. A decisão foi tomada hoje (1), em reunião com o presidente Júlio Casares. Confira a nota oficial do clube aqui.

A derrota diante do Atlético Goianiense foi a gota d’agua, já que marcou o sétimo jogo sem vitória do time, que já esteve na liderança do Brasileirão com uma diferença de sete pontos para o segundo colocado.

O péssimo momento vivido dentro e fora de campo só carimbam uma relação de altos e baixos que o treinador teve no clube e um conjunto de outros fatores fizeram com que ele deixasse o Tricolor após um ano e dois meses.

Insistência com Daniel Alves

Dani Alves chegou com moral ao São Paulo, seu status de craque do futebol mundial e o fato de ser torcedor do time, fizeram com que ele mudasse da lateral-direita, posição que o consagrou, para a posição de meia, um pedido do próprio jogador, prontamente atendido pela diretoria da época e pela comissão técnica.

No início, Daniel parecia estar bem adaptado a nova função e apesar das críticas de parte da torcida, que queria ele como lateral, fez bons jogos e chegou a liderar o time em números de passes certos e desarmes, sobretudo na primeira metade do Campeonato Paulista de 2020. Entretanto, uma lesão no braço o afastou dos gramados e o camisa 10 demorou para retomar o bom nível. Mas essa retomada aconteceu e ele foi um dos principais jogadores do time na fase em que o Tricolor se consolidou na liderança do Campeonato Brasileiro.

Porém, quando a equipe entrou em queda livre, Dani também foi responsável, pois seu baixo de rendimento era visível e subsittuí-lo parecia algo óbvio. Entretanto, isso só aconteceu 2 vezes e ele passou a ser enxergado como “queridinho” de Diniz, o que provocou enorme insatisfação na torcida e na imprensa.

Fernando Diniz, quando confrontado a esse respeito, sempre procurou ressaltar que ex-lateral era fundamental para o funcionamento do seu esquema mesmo sendo nítido que Daniel atrapalhava a maioria das jogadas e já não era efetivo.

Falta de alternativas táticas

Por um certo tempo foi legal acompanhar os jogos do São Paulo sob o comando de Diniz. O time trocava passes com muita velocidade e a todo momento havia várias opções de passes para os meias, tanto que Gabriel Sara é talvez o único legado do antigo treinador. Sara fez uma excelente dupla com o Igor Gomes e juntos ajudaram o time a organizar as muitas jogadas ofensivas do time. Mas um aspecto sempre foi motivo de críticas: a famigerada saída de bola, que sempre foi arriscada, pois a ordem era jamais dar chutões diretamente para o campo de ataque.

Essa filosofia demorou, mas funcionou por um tempo, até que os adversários começaram a concentrar sua marcação para impedir que o São Paulo saísse da defesa com tranquilidade. Assim, o Tricolor sofreu muitos gols com falhas individuais, que eram na realidade, fruto dessa filosofia e os rivais passaram a explorar essa fragilidade, bem como entenderam que deveriam dificultar ao máximo a troca de passes do ataque pela entrada de suas área defensivas e logo o São Paulo parou de criar chances perigosas e de marcar 2 ou 3 gols por jogo como era de costume.

O erro de Diniz foi em nenhum momento propor uma nova ideia tática para que o time parasse de sofrer com a improdutividade de seu esquema. Todos os adversários adotaram a postura de marcar forte a saída de bola e a congestionar o meio-campo, e o então treinador foi incapaz de mudar isso. Alías, Diniz defendia esse mesmo esquema por mais que ele já tivesse se mostrada inútil.

Sua única mudança, na maioria das partidas, era colocar Vitor Bueno no lugar de um zagueiro e recuar Luan para a defesa, algo que jamais teve efeito. Faltou ousar mais e apostar em Paulinho Bóia, Rojas e Toró, jogadores que atuam pelos lados do campo abrindo as defesas, opção que poderia mudar o panorâma dos jogos, mas isso nunca aconteceu.

Discussões com o elenco

Uma das marcas de Diniz como técnico era na forma de cobrar os jogadores sempre com palavrões e pouca paciência. Enquanto o time ganhava, isso era até encarado de maneira comica, especialmente nas broncas à Luciano, porém no duelo contra o Bragantino, o técnico perdeu a linha e passou do ponto com Tchê Tchê, o chamando até de “mascaradinho”. A verdade é que a partir daí, a relação com o elenco parece ter se desgastado. Ele até tentou se conter nos jogos seguintes, mas a ápatia dos atletas impedia qualquer mudança de postura.

Esses pontos citados foram os mais comentados nos últimos meses e é fato que algumas coisas como a troca de gestão e o ataque ao ônibus desestabilizaram a equioe e não foram culpa de Diniz.

O São Paulo foi o auge de sua carreira até o momento e não é exagero dizer que embora algumas ideias sejam boas em seu conceito, porém sua execução precisa ser aprimorada bem como sua abordagem ao cobrar os jogadores.

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Formado em jornalismo pela Faculdade das Américas. Sempre amei escrever e sempre amei o São Paulo Futebol Clube. Essas duas paixões me motivam a produzir conteúdo sobre o meu time do coração. Mas eu também gosto de falar política, história e entretenimento. Porém, já aviso que minhas opiniões não são simples a respeito de nada. O mundo é complexo e eu não sou diferente.