A gangorra da base: Empresários, Renovações e Problemas

Nos últimos dias, temos lido várias notícias envolvendo jogadores das categorias de base do São Paulo em processos de renovação de contrato com o clube.

Alguns renovaram o vínculo, casos de Helinho, Liziero, Lucas Perri, mas tivemos as histórias de Marquinhos Cipriano, Paulo Henrique e o jogador com maior destaque, que atua na equipe profissional há algum tempo, Éder Militão.

Além disso, um vai-não-vai, com o nome de uma das grandes joias da base, o atacante Brenner, que recebeu a sugestão de voltar a atuar pelo time Sub-20, o que poderia gerar uma sensação de retrocesso na carreira do jogador.

Existem alguns fatores que podem explicar essa debandada dos jogadores na visão de todos nós, torcedores: a influência de empresários, “comida de bola” do clube, ganância, ingratidão e mais. Porém, existem alguns detalhes.

Legislação, a parte chata, mas necessária da coisa toda

Por conta do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, o vínculo empregatício com atletas menores de 14 anos de idade é ilegal e caracteriza exploração de trabalho infantil. A legislação brasileira só admite relações formais de trabalho a partir de 14 anos, em caráter de aprendizagem até o jovem completar 16 anos.

Ainda assim, grande parte dos clubes assina contrato com atletas com mais de 14 anos, para garantir seus direitos de formação dos atletas.

O grande problema, segundo especialistas no assunto, é um regulamento da Fifa, que só permite aos clubes assinar contrato de no máximo três anos com menores de 18. A Lei Pelé, que regulamenta as operações no Brasil, permite acordos de até cinco anos com maiores de 16 para resguardar os clubes diante das investidas internacionais.

Para tentar evitar o tráfico de crianças, o regulamento da Fifa proíbe transferências internacionais de jogadores menores de 18 anos, mas…

Os clubes encontram brechas para driblar as regras, como por exemplo, oferecer cidadania, emprego, moradia e grana aos pais dos atletas em outros países, com ofertas irrecusáveis.

 

E no São Paulo, como fica?

Não é um problema apenas do São Paulo, mas os clubes tentam firmar vínculo com os atletas, que já possuem empresários e muitas vezes, se rendem às orientações destes agentes. Porém, o trânsito destes agentes é mais que suspeito nos clubes.

Já vimos no passado, casos como os do meia Oscar, o atacante Lucas Piazon, o lateral Diogo (que entraram na justiça contra o São Paulo) e o volante Casemiro (que optou por trocar de empresário), que tinham suas carreiras gerenciadas por Giuliano Bertolucci, dono da Euro Export Assessoria e Propaganda Ltda., por tempos, mal visto no Morumbi, mas esteve envolvido nas recentes vendas de três jogadores do São Paulo: Luiz Araújo, Thiago Mendes e David Neres.

Há pouco tempo atrás, Eduardo Uram, era outro empresário que chegou a ter onze de seus jogadores no elenco do São Paulo, gerando até uma investigação do Conselho Deliberativo do clube sobre possíveis favorecimentos em negociações.

É inegável que um bom relacionamento com empresários é necessário em um clube de futebol. Sem isso, é praticamente impossível reforçar uma equipe, mas estes casos recentes, nos trazem ressalvas sobre como isso é tratado, especialmente nas categorias de base, onde jovens despontam e colocam o clube contra a parede no momento da renovação de um contrato.

A culpa é de quem?

Não é possível afirmar quem é o grande culpado em todas essas histórias.

Há o lado do clube, que investe pesado na formação de atletas e devido a brechas na lei, perde jogadores num piscar de olhos, mas também há o ponto de vista do jogador, que busca um reconhecimento e projeção em uma relativa curta carreira, como a de um atleta de futebol.

De qualquer forma, todos os lados querem buscar uma vantagem para si, errando o momento ou visando apenas lucro, alimentando a fome por cifras cada vez maiores nas movimentações que beneficiam muitas pessoas.

A grande verdade, é que se não encontramos os culpados, sabemos que as vítimas são sempre os torcedores, apaixonados pelo São Paulo, que podem apenas presenciar toda esta movimentação e torcer para que ao menos, os títulos tão desejados, possam ser conquistados por estes personagens passageiros.

 

Fotos: Divulgação / saopaulofc.net

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42 anos, paulistano, são-paulino e um dos criadores do Arquibancada Tricolor. Apaixonado por Formula 1, Futebol, boa música e tecnologia!