O que podemos aprender com o Atlético Mineiro e a campanha “Manto da Massa”

Já há algum tempo, falamos que o marketing do São Paulo está em falta com a torcida e a reclamação geral é que a única ação realizada por esse setor do clube é a venda de copos durante as partidas.

Não deixa de ser verdade.

O potencial e a abrangência das ações poderiam ser muito maiores, prova disso é o que fez o Atlético Mineiro recentemente com a campanha “Manto da Massa” que consistia em um concurso que os torcedores desenharam modelos de camisas que foram selecionadas e em uma votação popular seriam escolhidas as melhores.

Foram 1500 envios, 13 modelos selecionados para a grande final e 50 mil votos, sendo o grande vencedor Flávio Markiewicz. O uniforme foi produzido pelo clube e pela fornecedora Le Coq Sportif, ficando à venda em um site personalizado.

Até o dia 20 de junho, em uma semana desde o lançamento, aconteceram 100 mil vendas, que resultou em quase R$ 20 milhões em arrecadação. Metade desse valor foi direcionado ao combate ao Covid-19.

O preço da camisa nas primeiras 92 horas foi de R$ 169,99 para sócios Galo na Veia. Depois desse período, o valor ficou em R$ 225,99 para os sócios. Já os não-sócios puderam comprar depois das 92 horas com o preço de R$ 269,99.

O “Manto da Massa” é como um terceiro uniforme e, segundo o clube, será utilizado em pelo menos um jogo da equipe profissional. O modelo é de edição limitada e conta com um QR Code para que o torcedor tenha acesso a informações do uniforme por intermédio de uma tecnologia ampliada.

Por que o São Paulo não realiza algo parecido?

O tweet de um torcedor são-paulino me fez pensar…

No Twitter, o Atlético Mineiro possui 2,1 milhões de seguidores e conseguiu toda essa mobilização, pois em apenas uma ação conseguiu:

  • Engajar o torcedor ao dar voz às opiniões
  • Reverter isso em arrecadação para o clube
  • Reforçar o plano de sócio-torcedor
  • Colaborar socialmente no combate ao Covid-19

Inteligente, versátil e prático.

O São Paulo, só no Twitter, tem 4,3 milhões de seguidores, mais que o dobro que o Galo. Então, será que se realizássemos algo do tipo não alcançaríamos também bons resultados?

Isso é benéfico pro clube que encontra uma outra forma de renda, ainda mais em meio à pandemia, e ao torcedor que tem acesso a uma camisa do clube do coração que ele próprio participou da escolha.

Aqui no site do Arquibancada Tricolor sempre publicamos alguns modelos de camisas que alguns torcedores nos enviam como a reestilização feita pelo designer são-paulino Eduardo Schwarz em homenagem a Leônidas da Silva (para ver detalhes clique aqui).

Ou no modelo inspirado na camisa utilizada na conquista do Campeonato Brasileiro de 1986 (para ver detalhes clique aqui):

E pelo que percebemos em nossas redes sociais, a repercussão dessas camisas é excelente, a maioria predominante gostaria de ter uma camisa como essas. Isso sem levar em consideração que as últimas feitas pela Adidas receberam muitas críticas.

E não diz só respeito às camisas. Essa ação do Atlético Mineiro foi apenas UM exemplo do que pode ser feito e os resultados mais do que satisfatórios que isso pode acarretar.

Pensando nisso, essa semana nós gravaremos um podcast com o Fernando Fleury, que é PhD em Administração com foco em esportes e entretenimento, professor, pesquisador e especialista em comportamento do consumidor. Então, aguarde porque logo teremos um conteúdo rico em informações sobre esse tema.

Foto: Divulgação

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